quarta-feira, 10 de junho de 2026

AS QUADRILHAS DE SÃO JOÃO E AS QUADRILHAS DO PODER POLÍTICO NO BRASIL


Junho chegou trazendo cores, bandeirolas, fogueiras e a alegria contagiante das tradicionais festas juninas. Em todo o Brasil, as quadrilhas de São João ocupam ruas, praças e arraiais, celebrando uma das mais belas manifestações culturais do povo brasileiro. Homens, mulheres e crianças se reúnem para dançar, sorrir e preservar tradições que atravessam gerações.


Mas enquanto as quadrilhas juninas encantam multidões com sua organização, disciplina e espírito comunitário, outras "quadrilhas" ocupam os noticiários nacionais. São as quadrilhas do poder, que há décadas atuam nos bastidores da política, desviando recursos públicos, manipulando contratos e transformando a confiança popular em moeda de troca.

Em Brasília, centro das decisões políticas do país, escândalos de corrupção se sucedem ao longo dos anos, independentemente de partidos ou ideologias. Investigações revelam esquemas milionários, tráfico de influência e uso indevido da máquina pública. A cada nova operação policial, o cidadão comum se pergunta quantas escolas deixaram de ser construídas, quantos hospitais ficaram sem equipamentos e quantas vidas foram prejudicadas pela ganância de poucos.

No Rio de Janeiro, a situação assume contornos ainda mais dramáticos. O estado que abriga algumas das maiores belezas naturais do planeta também se tornou palco de sucessivas denúncias envolvendo organizações criminosas, milícias, corrupção política e relações obscuras entre setores do poder e grupos armados. Governadores, parlamentares e autoridades já foram alvo de investigações que expuseram um sistema profundamente comprometido por interesses particulares.

A diferença entre as duas quadrilhas é evidente. Nas festas juninas, a quadrilha dança para celebrar a cultura e fortalecer os laços da comunidade. Nas quadrilhas do poder, muitos dançam conforme a música dos interesses pessoais, enquanto a população paga a conta. Uma produz alegria, tradição e identidade cultural. A outra produz descrença, indignação e prejuízos ao desenvolvimento do país.


O Brasil precisa valorizar mais suas verdadeiras quadrilhas: aquelas que preservam a cultura, unem famílias e mantêm viva a história do povo. Ao mesmo tempo, é necessário fortalecer os mecanismos de fiscalização, a transparência e a responsabilidade pública para que as quadrilhas do poder deixem de ocupar espaço nas manchetes.

Neste mês de São João, que o som da sanfona e o brilho das fogueiras nos lembrem de uma lição simples: o país que celebra sua cultura também deve exigir ética de seus governantes. Afinal, a festa popular é patrimônio do povo, mas o dinheiro público também deveria ser.